• Associação de saúde coletiva alerta para risco de mudanças em estudos sobre rompimento da Samarco

    Em nota, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva publicou documento em que demonstra preocupação com a autorização da Justiça para que seja alterada a metodologia de verificação dos riscos existentes após o rompimento da barragem de Fundão; Primeiros levantamentos demonstraram a presença de metais pesados no solo e poeira em Mariana e Barra Longa. Na segunda-feira (13), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) divulgou nota técnica que expressa apreensão na autorização da Justiça para que sejam alterados os estudos realizados sobre a exposição de riscos à saúde das populações afetadas pelo rompimento da barragem da Samarco, em 2015, no município de Mariana. As primeiras pesquisas, que seguem as determinações do Ministério da Saúde, encontraram evidências de que a população está exposta a metais pesados como cadmio e chumbo. De acordo com a nota, ficou comprovada a “existência de Perigo Urgente à Saúde Pública nos municípios de Mariana e Barra Longa, porque comprovaram que ‘existiu, existe e poderá haver rotas de exposição completas a uma ou mais substâncias carcinogênicas ou com potencial carcinogênico por mecanismo genotóxico’ – a exemplo do cádmio, identificado nas análises de solo superficial e de poeira domiciliar; e a ‘uma ou mais substâncias com efeitos tóxicos sistêmicos em níveis acima dos valores de referência’ – o que se aplica por exemplo ao chumbo”. Em 02 de março, o juiz Mário de Paula Franco Júnior, da 12ª Vara Federal Cível e Agrária de Belo Horizonte, descartou a preponderância do uso da metodologia “Avaliação de Risco à Saúde Humana por Exposição a Contaminantes Químicos” (ARSH), do Ministério da Saúde, para o caso. O pedido de mudança foi feito pela Fundação Renova. O projeto Manuelzão, em alinhamento com a Abrasco, se opõe à tentativa da Fundação Renova de mudar o método de avaliação. No lugar de buscar uma metodologia que atenda aos interesses da mineradora, é preciso tratar o problema. A nota técnica da Abrasco foi encaminhada diretamente ao Ministério Público Federal e argumenta que “a existência de tantos laudos técnicos já realizados no território atingido pelo desastre e posteriormente desqualificados pelas empresas e pela Fundação Renova, além da polêmica criada acerca da metodologia a ser adotada têm servido para postergar as necessárias e urgentes medidas de proteção à saúde da população”. Confira a nota completa, clicando aqui.

    Voltar Data: 14/04/2020