• Em visita da Comissão de Brumadinho à Oriximiná, ribeirinhos e quilombolas reivindicam moratória de novas barragens

    A Comissão Externa do Desastre de Brumadinho foi criada na Câmara dos Deputados com o objetivo de acompanhar e fiscalizar as barragens de mineração existentes no Brasil, em especial, acompanhar as investigações relacionadas ao rompimento em Brumadinho (MG). Serão os únicos locais visitados na Amazônia nessa fase de trabalhos. Os parlamentares realizaram visitas também em Minas Gerais e Goiás. O deputado Júnior Ferrari, que é natural de Oriximiná, esclareceu à Comissão Pró-Índio que apresentou o requerimento junto à Comissão de Brumadinho para que os deputados pudessem visitar in loco as barragens da Mineração Rio do Norte, “estamos colhendo informações em todos os estados, têm vários projetos tramitando sobre barragens, sobre que tipo de monitoramento devemos fazer, que tipos de barragens, quais são as prevenções para evitar tragédias como a de Mariana e Brumadinho. Vai ter longa discussão e debates ainda. Até abril ou maio devemos fazer a conclusão”. Hogayd Costa de Jesus da Associação da Comunidade Remanescente de Quilombo Boa Vista, que acompanhou a visita avalia que “foi uma coisa muito rápida. Pedi aos deputados que fossem até a nossa comunidade para ver a nossa realidade. Eu estava esperando que eles dessem uma resposta, uma esperança, já uma promessa de voltar. Não vamos levar segurança nenhuma, seremos cobrados na comunidade”, se preocupa Hogayd. O mesmo pedido foi feito pelos ribeirinhos “nós solicitamos uma visita a uma comunidade, pode ser quilombola ou ribeirinha, para a gente se reunir em um local para conversar, onde eles possam nos ouvir e saber o que passamos” explica Maria de Fátima Lopes, coordenadora da comunidade ribeirinha Boa Nova. A fala da Deputada Áurea Carolina ao avaliar a visita em entrevista a Comissão Pró-Índio: “Em relação às comunidades, de fato, o tempo foi muito escasso, eu lamento não ter podido visitar os territórios dessas comunidades, gostaria muito de ter ido, e espero poder voltar a Oriximiná em algum momento para estabelecer esse laço de outra maneira com aquelas pessoas” E esclareceu que “a escolha feita na visita de uma passagem rápida em algumas partes do empreendimento e um momento rápido, ao final, de conversa com algumas representações das comunidades quilombolas e ribeirinhas atingidas não seria, certamente, a escolha que nós faríamos em nosso mandato coletivo, porque nós buscamos contemplar a escuta, a participação e o diálogo com as comunidades atingidas, e com o Poder Público com as empresas de uma maneira mais aprofundada”. Apesar das limitações, as lideranças avaliam que a visita foi importante. Hogayd Costa do Quilombo Boa Vista aponta como aspecto positivo a aproximação com os parlamentares “para começar a conversa”. Já Amarildo Santos de Jesus, da Associação do Quilombo Boa Vista considera que apesar da “pouca oportunidade de falar do nosso conhecimento da área”, a visita foi boa. “Como tinha muita gente, falamos com um, com outro. Os deputados falaram que vão se empenhar para que a empresa passe mais informações para as comunidades”. Maria de Fátima Lopes da comunidade ribeirinha Boa Nova destaca que foi de suma importância o contato entre os parlamentares, quilombolas e ribeirinhos. “A MRN está há mais de 40 anos em nossa região e nunca ouvi falar que convidou ribeirinhos para conversar junto com câmara municipal, estadual e federal. Nós não éramos nem ouvidos”. Em relação aos resultados do trabalho da Comissão de Brumadinho, a deputada Áurea destaca que “há uma preocupação por parte da Coordenação, Deputado Zé Silva, e da relatoria com o Deputado Júlio Delgado, de que essa Comissão apresente um bom resultado com a entrega de oito projetos de lei que vão discutir diferentes eixos temáticos sobre a política mineral no Brasil” E completa: “vejo que há uma ação muito consciente, muito preocupada com a mudança de paradigma”.

    Voltar Data: 01/04/2019