O Crime

25.01.2019

No Brasil, a ruptura da Barragem da mina Córrego do Feijão no município de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, a 60 km da capital do estado de Minas Gerais, revive o drama dos impactos humanos e ambientais da exploração mineral do capitalismo financeirizado.

Desde 25 de janeiro corre o mundo cenas de devastação e violência do pesado rejeito de minério em forma de lama tóxica, cobrindo tudo em seu caminho em poucos minutos desde que a barragem Mina do Feijão rompeu e despejou 12 milhões de metros cúbicos de lama na bacia do Rio Paraopeba. O município de Brumadinho, com quase 40 mil habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), tem como principais atividades econômicas a exploração de minério, a agricultura, a pecuária e o turismo, já que a região é rica em patrimônios naturais, culturais e históricos, como o Parque do Rola Moça, o Instituto Inhotim e o Quilombo do Sapé.

O receio do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) é que a lama, como no crime de Mariana, chegue ao oceano, passando por um dos principais rios do país. A lama em curso segue pela bacia do Paraopeba, um dos principais afluentes do Rio São Francisco que corta o estado de Minas Gerais e mais cinco estados da região Nordeste. Caso nada seja feito, 521 municípios brasileiros poderão ser afetados.

Já são dezenas de mortes confirmadas, estima-se 300 desaparecidos e esse número ainda pode dobrar. O rompimento da barragem ocorreu na hora do almoço na troca de turnos, com o refeitório localizado abaixo da barragem. A Mina do Córrego do Feijão funcionava em três turnos de trabalho, operando 24 horas por dia, sete dias por semana.

Trabalhadores da empresa Vale e terceirizados estavam alimentando-se, recuperando suas energias para continuar vendendo sua força de trabalho à mineradora quando foram surpreendidos. As coisas se invertem, quem ingere alimento para restaurar-se é, repentinamente, engolido pelo apetite insaciável da Vale, em lama que desce, destruindo tudo.

O desastre de grandes proporções causa ainda mais indignação pela impunidade, a mesma empresa, a mineradora Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, está envolvida no crime de Mariana, com o rompimento da Barragem do Fundão em 2015, no mesmo estado de Minas Gerais, que levou ao vazamento de mais de 43 milhões de metros cúbicos de rejeitos, causando 19 mortes e a contaminação do Rio doce até o oceano e Bacarena no estado do Pará em fevereiro de 2018.